O balanço de 2025 da Vale mostra uma realidade preocupante e que, há muitos anos, permite disparidades dentro da empresa, consolidando um modelo de exploração quase desumana de mão de obra.
Em 2025, a força de trabalho global da empresa compreendeu 179.788 trabalhadores. Desse total, 113.983 são terceirizados (ou seja, 63,4%) e apenas 65.805 têm contratos diretos com a empresa (36,6% do total).
À véspera da tragédia em Brumadinho, o METABASE BH editou um boletim em que fazíamos um severo alerta sobre os males e os riscos da entrega de serviços para empresas terceirizadas. Não podemos conceber que possam desempenhar sua atividade com a mesma segurança que os trabalhadores da Vale — que seguem as “Regras de Ouro” — companheiros nos mesmos ambientes de trabalho, funcionários de empreiteiras que sugam todas as suas energias sem um treinamento adequado e em condições precarizadas de trabalho.
A Vale, infelizmente, facilita a convivência interna de um grande mal para os trabalhadores e para a própria empresa. Várias terceirizadas ganham licitações para prestar serviços à Vale com uma prática desonesta de precarização, que precisa ser investigada e punida por instrumentos de fiscalização, como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Superintendência Regional do Trabalho.
Nos últimos anos, a Vale falava de um processo de primarização (o uso de trabalhadores próprios) dentro da empresa —, mas o que se vê é o aumento da terceirização, que atingiu até o RH da empresa e a própria folha de pagamento, entregue a uma multinacional terceirizada. O Sindicato é contra a terceirização e defende que todos os trabalhadores tenham os mesmos direitos conquistados em nossos acordos coletivos, considerando uma vergonha a situação em que terceirizados exercem sua atividade.
Estas condições deterioradas e o ambiente de exploração de terceirizados emporcalham a imagem da empresa e vitimam os trabalhadores com acidentes fatais em nome da contenção de custos e da ganância pelo lucro.