A omissão da Vale diante das recorrentes denúncias de assédio moral e pressão psicológica atingiu um nível insustentável. Embora o Sindicato e os próprios trabalhadores tenham formalizado inúmeros alertas nos canais de Ouvidoria e junto ao setor de Relações Trabalhistas, a empresa permanece muda e surda, permitindo que o ambiente de trabalho se transforme em um cenário de terror. O que se vê hoje nas unidades é uma falência completa da comunicação: gestores e chefias ignoram os problemas e se blindam em uma estrutura de comando que desumaniza a base.
É inaceitável que gerentes e coordenadores, mesmo acumulando um volume alarmante de denúncias, continuem agindo com total impunidade sob o olhar complacente da gerência geral.
Essa postura contradiz frontalmente o discurso oficial da companhia sobre a preservação da saúde psicossocial. Enquanto a Vale alega estar alinhada às exigências da NR-01 para eliminar fatores de riscos psíquicos, a realidade prática revela o oposto: gestores que atuam como carrascos, impondo um clima de convivência insalubre. O resultado desse descaso é uma categoria tensa, acuada e adoecida. Mais grave ainda é o impacto dessa pressão na segurança operacional. Ao priorizar metas desmedidas através da agressão verbal e do "mandonismo", a chefia ignora que o nervosismo e o esgotamento dos trabalhadores são gatilhos diretos para acidentes de trabalho. Um trabalhador sob constante ameaça psicológica não opera com segurança; ele opera sob risco iminente de morte.
A Ouvidoria da empresa, que deveria ser um instrumento de correção, tornou-se um canal surdo, servindo apenas para catalogar o desespero de quem não vê solução. Diante desse caos, o Sindicato reitera à alta direção de RH e Relações Trabalhistas que não aceitará a continuidade dessa política de abusos. A desumanização do trabalho e o desrespeito às normas de segurança e saúde são deploráveis. Alertamos: se medidas corretivas imediatas não forem tomadas para estancar essa cultura do assédio, buscaremos as intermediações externas e as devidas reparações judiciais. A vida e a dignidade do trabalhador não estão à venda e não serão sacrificadas pela negligência da gestão.